Ao recusar-se a participar de atos incompatíveis com a legislação, o contabilista prova que sua conduta é coerente não só com a ética, mas também com a moral social e pessoal.
Outra forma de má conduta é o aviltamento de honorários, que gera concorrência desleal. O profissional que o pratica está buscando a quantidade e não a qualidade, uma vez que oferece seus serviços por valores incoerentes com a relevância, a complexidade e as dificuldades na execução de seu trabalho. Acaba sendo remunerado abaixo de seu custo. É comum a quase toda a humanidade o princípio que condena o suicídio. Ora, do ponto de vista econômico-financeiro e ético, esta situação é um suicídio profissional. Para não sucumbir, o profissional ou rebaixa a qualidade do serviço ou deixa de executá-lo ou simplesmente o faz com negligência.
Se este suicídio atingisse somente os contabilistas que assim procedem, num espaço de tempo relativamente curto, restariam somente os que não o fazem. Contudo, como a concorrência é desleal, esses outros se vêem obrigados a seguir pelo mesmo caminho, para não curvarem-se à falta de emprego ou de clientes. Portanto, o aviltamento de honorários é uma batalha sem limites, onde ninguém ganha: todos perdem.
O Código de Ética Profissional do Contabilista é relativamente pequeno, pois é formado por quatorze artigos, distribuídos em cinco capítulos. Esta simplicidade não significa baixa eficácia. Pelo contrário, justamente por isto atinge seu objetivo de ser um código de conduta de rápida leitura e assimilação. Seria desnecessário incluir no código regras morais. É ele um direcionador, pois ao delinear os deveres, desvela também os direitos dos contabilistas em suas relações profissionais com seus pares e com seus clientes ou empregadores.
Cabe aqui uma pergunta: como fazer para que a ética seja realmente aplicada na contabilidade?
Um dos caminhos inicia-se nos bancos escolares. Sim, pois se no decorrer do curso de Ciências Contábeis, os futuros profissionais adquirirem a consciência dos valores éticos da profissão, da importância de seu papel na sociedade e das conseqüências que as condutas não-éticas provocam na classe contábil como um todo, ele certamente procurará agir de forma ilibada, pois disto dependerá a sua sobrevivência profissional. |